Cânticos de Capoeira
Apostila Organizada pelo Mestre Falcão LADAINHA (Mestre Toni) Certa vez Perguntaram a seu Pastinha O que era Capoeira E ele, mestre velho respeitado Ficou um tempo calado Revirando a sua alma Depois, respondeu com calma Em forma de Ladainha A capoeira, é um jogo, E um brinquedo É se respeitar o medo E dosar bem coragem É uma luta, É manha de mandingueiro É o vento no veleiro Um lamento na senzala É um corpo arrepiado É um berimbau bem tocado O sorriso de um menininho A capoeira É o vôo de um passarinho O bote de cobra coral Sentir na boca, Todo o gosto do perigo Se sorrir para o inimigo E apertar a sua mão É o grito de Zumbi Ecoando nos Quilombos É se levantar do tombo Antes de chegar no chão É o ódio É a esperança que nasce, Um tapa explodiu na face E foi arder no coração Enfim, é aceitar o desafio Com vontade de lutar A Capoeira É um barco pequenino Solto nas ondas do mar É um peixe, é um peixinho Solto nas ondas do mar. É um barco peregrino (Coro) Que vaga sem destino (Coro)
LADAINHA Até parece que a capoeira É brincadeira (2x) Todo mundo hoje quer ser Ser mestre de capoeira Tem muita gente Ruim de jogo e afobado Fica falando que é bom Que é virado no diabo Como é que pode Não podemos confiar Quando entra numa roda Faz vergonha até jogar É sempre bom Esperar o tempo passar Ser mestre de capoeira Não é só querer jogar Camará Iê, viva meu Deus Iê, viva meu Deus camará Iê, viva meu mestre ((Coro))
Homenagem ao Mestre Waldemar (Luiz Renato)
Na roda de capoeira (2x) Sempre foi respeitado O capoeira elegante Do sapato envernizado Com o sorriso confiante E o chapéu caído de lado Sua voz estremecia No toque do berimbau Jogando com seu terno branco De linho diagonal O que sente pela capoeira Já está dito no seu nome No fundo do coração Capoeira respeite esse homem É Waldemar da Paixão Mestre Waldemar, quanto tempo faz As rodas de capoeira, Domingo lá no Pero Vaz Mestre Waldemar, quanto tempo faz ((Coro)) A capoeira de Angola, Que os tempos não trazem mais (Coro) Mestre Bimba e Pastinha, que já não existem mais (Coro) CHULA
O juca de amaralina Tinha mesmo que morrer Ele quis mexer comigo Sem nem bem me conhecer Tinha fama de valente Tinha onda de canalha Agora tá pendurado No fio da minha navalha Oi é tu que é muleque Muleque é tu ((Coro)) Oi é tu que é muleque Tu me chamou de muleque Mas muleque não sou eu Quem me chamou de muleque Foi Besouro Preto, Besouro morreu Mas é tu que é muleque Muleque é tu
CHULA Toquei meu pandeiro Toquei atabaque Toquei berimbau (O (Coro) repete) Chamei bom parceiro Chamei bom parceiro Pro jogo de pau (o (Coro) repete) Aruanda ê, ê, ê ((Coro)) Aruanda a, a, a.
CHULA
BERIMBAU Lê Lê
Ôh prepare o arame Enverga a madeira de jequitibá Traga a moeda, a cabaça E o caxixi da Feira Que eu quero jogar Meu berimbau lê, lê Meu berimbau camará ((Coro)) Ele é enfeitado Com laços de fita E as conchas do mar ((Coro)) Eu enfrento o sereno Desfaço o veneno dessa solidão Rezo São Bento Grande, São Bento Pequeno Conforme a razão Na roda o medo não fala Moleque aprenda a lição Coragem nunca se cala Vence quem tem coração Com os pés na Senzala Negro se ajoelha Fazendo oração (Coro) Vem menino vem Descendo a ladeira No cais dourado vai ter Capoeira pra matar Dança morena faceira Vadeia na beira do mar Negro vem de Zanzeira Vem da Gameleira Chegou pra jogar.
CHULA O vaqueiro de verdade Não teme a morte e a fome Não foge de emboscada Nem treme diante de homem O vaqueiro de verdade Não larga o laço da mão Ele não se embaraça em espinho A mulher ele não nega carinho Ao bom Deus não nega oração Apanha lá vaqueiro ((Coro)) Apanha jaleco de couro (Coro) Na porteira do curral (Coro)
CHULA
Capitão Bicho Malvado Capitão bicho malvado Eu sou negro Mas não vou apanhar Me ensinaram a capoeira Eu agora vou te mostrar Capitão vem agora Oh, raízes de Angola, Angolá As Chicotadas que ele me deu São motivo pra eu odiar Esse homem é traiçoeiro Ele é pago pra me matar Capitão vem agora Ho, raízes de Angola, Angolá No aprendizado da capoeira Capitão não vá recuar A batalha entre eu e você Não há feitor pra lhe ajudar Essa arte é brasileira Instrumento de libertar Capitão vêm agora, Ôh, raízes de Angola, Angolá CHULA O que abalou Santo Amaro (2x) Foi a morte de um cidadão Que batia na polícia Em qualquer situação E ficou muito famoso Foi por sua valentia Uma lenda em Santo Amaro Uma história na Bahia Era Besouro, era besouro Famoso cidadão de ouro CHULA Vim de Ilha de Maré Vim de Ilha de Maré Vim de ilha de Maré Do severo do Mestre João Eu cresci lá na Preguiça Me criei na Conceição Eu subi o Pelourinho Eu desci a gameleira Eu passava o dia-a-dia Na roda de Capoeira Aprendi... Eu aprendi Capoeira Lá na rampa do cais da Bahia (repete) Eu passava o dia-a-dia Na roda de Capoeira Aprendi... Eu aprendi Capoeira Lá na rampa do cais da Bahia (repete) CHULA
Alexandre Batata Foi num samba de roda Que eu vi minha preta chorar Perguntei o que Foi minha preta Agora você vai ter que falar E ela com muita emoção Chegou bem pertinho Para me falar Foi que eu sonhei com capoeira Jogada na beira do mar Sonhei, eu fui sonhar Capoeira na beira do mar Sonhei, eu fui sonhar (Coro) Um balanço de corpo Na beira do mar (O (Coro) repete) Se o coqueiro e E a baiana balançar (O (Coro) repete) E lá vou eu E lá vou eu e lá vou eu Vou com as ondas do mar ((Coro) Repete) Vou jogar capoeira Na beira do mar Capoeira não sai Da minha cabeça Capoeira não sai do coração Capoeira quem joga É mandingueiro Capoeira é jogo de irmão Capoeira é beleza Capoeira é tradição Capoeira tem fundamento Capoeira é vibração (o (Coro) repete) Capoeira nasceu nos quilombos E nos sofrimentos das senzalas O negro cantava ladainha Enquanto a cana cortava ((Coro)) Na roda de capoeira Pode-se matar ou morrer Mas também se joga limpo E o que é bonito É pra se ver ((Coro)) Para ser bom capoeira Não basta ter aptidão Tem que se entregar com alma E cantar com coração CHICO Parauê Rauê
Chico Parauê rauê Chico parauê rauá Chico Parauê rauê Rauê rauê rauê Rauê rauê rauá (O (Coro) repete) A dor de uma mãe escrava Ao ver seu filho afastar Vendido pra outra fazenda Assim como se fosse Espécie de animal ((Coro)) A dor do pai era maior Mas nada podia fazer Se não ajoelhar à terra E pedir a Deus Que queria morrer ((Coro)) Havia um escravo sorrindo Olhando a filha de Sinhá Que pena que eu nasci um negro E nunca vou poder Com ela namorar ((Coro)) A água que a gente bebia Nascia mesmo por ali A comida era a ração A folha de coqueiro A cama de dormir ((Coro))
SINHÁ
Sinhá Jogando Capoeira Lá na Ribeira Lá em Maré Eu falei pra Sinhá Não Jogar Capoeira Eu falei pra Sinhá Lá no Abaeté E a luz da Candeia Vai iluminar Seus caminhos de fé (O (Coro) repete) Sinhá Mora na casa grande Tem tudo que ela quiser Foi passear na Senzala E lá aprendeu a jogar A mandinga de Angola E a luta da Regional Se apaixonou pela dança E com ela foi quilombar ((Coro)) CHULA GUNGA MEU
Eu fui na mata de Sinhá Eu fui na mata de Sinhá E esqueci meu Gunga lá Então voltei pra pegar Lá na entrada da mata Encontrei um negro forte Com o meu Gunga na mão Eu pedi pra entregar Ele! Não entrego não Então me chamou pra jogar A Capoeira Regioná E então lhe respondi Dizendo dessa maneira Esse Gunga é meu É de boa madeira (Coro) Me entrega esse Gunga De qualquer maneira ((Coro)) Jogo no mato E também na Ribeira ((Coro)) Meu avô que me disse, Ele não diz besteira ((Coro)) Olha esse nego, Ele não é brincadeira
CHULA Cuidado moço (Mestre Camisa)
Cuidado moço Que esta fruta tem caroço (2 vezes) Mas vale nossa amizade Que o dinheiro no meu bolso Para quem sabe viver Esta vida é um colosso Cuidado moço Que esta fruta tem caroço Ando com o corpo fechado E o rosário no pescoço ((Coro)) Fui criado lá na roça Tomando água de poço ((Coro))
LADAINHA Bahia Axé
Que bom Estar com você Aqui nesta roda Com este conjunto Bahia axé Axé Bahia E o vento Que sopra tão lindo Por sobre os coqueirais Isto é demais Iôôô Iô, iô, iô, iô Iô, iô, iô, iô Iô, iô, iô, iô CHULA Você se lembra de mim Eu nunca vi você tão só (O (Coro) repete) Óh meu amor óh meu xodó Minha Bahia Ca, Capoeira meu amor Ca, Capoeira meu amor (O (Coro) repete)
CHULA A palma estava errada O mestre mandou parar outra vez Bate essa palma moleque A Palma de Bimba é um, dois, três Olha a palma de Bimba É um, dois, três.. ((Coro))
CHULA Mas hoje é dia de festa Eu jurei que não vou me importar Se o batuque não sai como eu gosto Se a morena não vai me olhar Hoje eu quero é jogar capoeira Vem mandinga pra lá e pra cá Essa dança, essa luta é guerreira Faz o corpo se arrepiar Brincadeira, mandingá No molejo do corpo Vem molejar
CORRIDO (Toque de Angola) Ôh cabelo enrolado, Enrolado, enrolado, Enrolado, êh Ôh cabelo enrolado, Enrolado, enrolado, Enrolado, êh (o (Coro) repete) Esse jogo de Angola é bonito de ver Ôh cabelo enrolado, Enrolado, enrolado, Enrolado, êh ((Coro))
CHULA Saudade não é hoje Saudade não é agora Saudade é amanhã Quando meu mestre for embora ( o (Coro) repete) Despedida de capoeira Faz chorar ((Coro)) Faz chorar, faz soluçar camará (Coro) Despedida de mestre Bimba (Coro) Faz chorar, faz soluçar camará (Coro) CHULA Você se lembra de mim Eu nunca ví você tão só Óh meu amor, Óh meu xodó Minha Bahia (o (Coro) repete) A capoeira meu amor A capoeira meu amor (o (Coro) repete)
CHULA ÊH MAR
Bem antes do sol raiar Jangadeiro empurra Sua jangada no mar Bem antes do sol raiar Jangadeiro empurra Sua jangada no mar Eu sou capoeira, Viajante da terra E ele jangadeiro É o viajante do mar Jangadeiro me ensine a velejar E saber os mistérios do mar Êh mar balança mar Êh mar, eh mar, balança mar Êh mar, eh mar Êh mar balança mar Êh mar, eh mar, balança mar Êh mar, eh mar Capoeira me ajude a içar a vela E venha comigo pescar Enquanto não chegamos lá Você faz o seu berimbau vibrar Esticamos a rede e você verá Como é fácil tirar alimento do mar Êh mar balança mar Êh mar, eh mar, balança mar Êh mar, eh mar Êh mar balança mar Êh mar, eh mar, balança mar Êh mar, eh mar
Chula Êh Madalena Rojão Êh Madalena Rojão Ponha a lenha no fogão Pra fazer a maçã ( o (Coro) repete) Hoje é dia de sol Alegria de coió Pra curtir o verão (o (Coro) repete) Êh, tê, tê, tê, tê, tê tê, êh Êh, tê, tê, tê, tê, tê tê, áh ( o (Coro) repete)
Chula
Olha veja, veja , veja , veja ia , ia Ai, ai, ai, ai, ai, ai (o (Coro) repete) Aqui em cima tem uma vista boa Ai, ai, ai, ai, ai, ai ((Coro)) E lá embaixo tem uma lagoa Ai, ai, ai, ai, ai, ai ((Coro)) E lá embaixo tem o mar Para Nadar ( (Coro)) E lá em cima tem a lua Para viajar ((Coro)) Lá no céu.. Lá no céu tem três estrelas Uma é Bimba outra é Pastinha Outra é Mestre Gigante Com toda sua força e valentia No sonho eu vi Cobrinha Verde E o famoso Mestre Paraná Eu vi Mestre Canjiquinha E o lendário Besouro Mangangá Valdemar da Liberdade Tocava o seu Berimbau Fazendo festa na chegada Pra um capoeira respeitado Era meu mestre Gigante Que lá no Céu tinha chegado Lá no céu... Lá no céu tem três estrelas Uma é Bimba outra é Pastinha Outra é Mestre Gigante Com toda sua força e valentia
Eu sou movido pela capoeira Eu sou movido pela capoeira, eu sou movido pelo o berimbau Começei por brincadeira omeçei sem emoçao, mas agora a capoeira conquistou meu coraçao
Eu sou movido pela capoeira, sou movido pelo o berimbau O berimbau é quem me chama a capoeira é quem me leva a meu deus eu agradeço Pela a vida que me dar Eu sou movido pela capoeira, eu sou movido pelo o berimbau Eu pratico a capoeira por que ela me escolheu olhei pra ela ela sorriu e naquele instante me escolheu
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